Mostrando postagens com marcador criatividade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador criatividade. Mostrar todas as postagens

domingo, 12 de janeiro de 2014

explorações


Deite de costas... e relaxe.

Sinta o peso do seu corpo repousado sobre a superfície que o sustenta.

Comece pequeno.

sábado, 11 de janeiro de 2014

os bebês falam


"O que vou lhes contar ocorreu na Maison Verte, instituição parisiense de acolhimento de crianças de zero a três anos, criada pela psicanalista Françoise Dolto.

Quando na juventude de minha formação psicanalítica, tive a oportunidade de passar algumas tardes naquele local, acompanhando o trabalho de Dolto, já, então, ícone da psicanálise dita infantil.

Em uma tarde, um casal relativamente jovem chegou para a consulta com cara de desespero. Traziam um bebê nos braços, o qual aparentava uma fraqueza importante. Deveria ter uns três ou quatro meses de vida.

Dolto, cheia de atenção vigilante e afetuosa, ficou sabendo dos pais que ao desespero da criança que não comia, razão por estar esquálida, somava-se a preocupação com o desemprego do pai, a sobrecarga da mãe, e as contas que não fechavam no mês.

Assisti, em seguida, Françoise Dolto se dirigir diretamente ao bebê, sem qualquer atenção ao fator compreensão, e lhe explicar, olhos nos olhos, que ela, Dolto, entendia muito bem que ele não quisesse comer, uma vez que sua chegada poderia ser pensada como em má hora, e que o melhor talvez fosse desaparecer. Contestou, no entanto, afirmando que ele estava enganado, pois sendo tão querido e esperado, sua morte precoce retiraria dos seus pais o único efetivo alento naquele momento difícil de vida. E assim se despediu dos três – filho, mãe e pai –dando-lhes um retorno para a semana seguinte. Quando saíram, Dolto me disse: -'Você vai ver só o que vai acontecer'.

No segundo encontro, confirmando a previsão da analista, eram outras pessoas que estavam ali. O bebê estava comendo, e bem.

Ao final do atendimento, a doutora me falou: -'Você viu como os bebês falam? Você viu a prova?'. Aí, para mim, foi demais. Com a delicadeza devida, contestei que não era que bebês falassem, mas que – como Lacan havia demonstrado no estádio do espelho... – ao ela falar com o bebê, estava realmente falando a seus pais que, por conseguinte, tinham mudado sua posição e possibilitado a alteração sintomática.

Dolto não me deixou avançar muito em minha peroração. –'Sim, sim – me retorquiu – eu também conheço o ‘seu Lacan’ e bastante bem. Além de companheiros de toda uma vida, somos mesmo muito amigos. Agora, que ele o diga com o espelho, é interessante, quanto a mim, digo e mostro – como você viu – que os bebês compreendem e sabem falar'.

Pano rápido."

- Jorge Forbes (compartilhado por Marcus Quintaes)

a si mesmo


A vida não é para você encontrar a si mesmo. É para você criar a si mesmo.

- George Bernard Shaw

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

inspiração

Liniers

"A inspiração, em todas as formas de arte, tem um toque de magia porque a criação absolutamente inexplicável. (...) Suponho que ela emerge do mais profundo 'eu' de uma pessoa, do mais profundo inconsciente individual, coletivo e cósmico."

- Clarice Lispector

sábado, 4 de janeiro de 2014

o valor da solidão: o silêncio diz nossos desejos mais autênticos


Eugenio Borgna, psiquiatra italiano e catedrático da Universidade de Milão, em seu livro La solitudine dell´anima (Ed. Feltrinelli, 198 páginas - "A Solidão da Alma", inédito no Brasil), faz um elogio da solidão e do silêncio, fundamentos da criatividade humana e via de encontro do indivíduo consigo mesmo.


Em entrevista concedida ao jornal La Republica em 18 de janeiro de 2011, traduzida por Moisés Sbardelotto para o Instituto Humanitas Unisinos e parcialmente reproduzida a seguir*, distinguiu solidão de isolamento e falou sobre o valor da solidão como experiência indispensável para qualquer transformação individual e social.

Estar sozinho não quer dizer sentir-se sozinho, mas separar-se temporariamente do mundo das pessoas e das coisas, das ocupações cotidianas, para entrar novamente na própria interioridade e na própria imaginação – sem perder o desejo e a nostalgia da relação com os outros: com as pessoas amadas e com as tarefas que a vida nos confiou.

Estamos isolados, ao contrário, quando nos fechamos em nós mesmos, porque os outros nos rejeitam ou mais frequentemente no rastro da nossa própria indiferença, de um egoísmo tétrico que é o efeito de um coração árido ou seco.

Na solidão, tão rica de vida interior, o silêncio tem um eros e uma linguagem próprios: diz as nossas melancolias, as angústias, as esperanças não expressadas, os temores, as expectativas. Diz os nossos desejos mais autênticos. O silêncio tem mil modos de manifestar alguma coisa e de escondê-la, de indicar e de aludir, de se aproximar e de se afastar, de fascinar e de intimidar.

Ao contrário, quando estamos isolados, separados do mundo, mônadas de portas e janelas fechadas, não temos pensamentos e emoções a serem transmitidos aos outros. Sem mais palavras, aprofundamo-nos em um mutismo que tem uma única dimensão: a da insignificância.

Um aspecto emblemático da condição humana de hoje e da juvenil em particular é a tendência aos contatos "desemocionalizados", que respondem às necessidades do momento e se incineram sem deixar rastro no coração e na memória. Não há dúvida de que hoje a solidão é sempre mais difícil de ser salva e de ser vivida, porque somos arrastados por um redemoinho de sensações exteriores que não nos dão nem mais o tempo para pensar em nós mesmos, para nos confrontar com os nossos segredos, com (...) as emoções que estão em nós, com as coisas que não queremos lembrar e voltam à memória, com a autenticidade ou a inautenticidade das relações que temos com os outros: no fundo, com o mistério do viver e do morrer.

A solidão, como eu a entendo, não é só uma experiência interior de poucos eleitos, mas, ao contrário, é uma matriz ideal de mudança relacional e cultural, política e social e, em última instância, razão de vida historicamente significativa.

É indispensável reencontrar os valores inalienáveis da reflexão crítica e da solidariedade, do empenho ético na política, do respeito radical das pessoas e das suas diferenças – transferindo a consciência desses valores para aquela que é a ação cotidiana, o testemunho pessoal de cada um de nós.

Quanto espaço temos aberto para o silêncio e a solidão frutuosa em nossas vidas?

[Aliás, está aí um link muito interessante: Do Nothing for 2 Minutes (algo como "2 Minutos sem Fazer Nada"). Um bom exercício para cada um avaliar como anda a sua capacidade de silenciar. :-)]

_______________
*Leia o artigo na íntegra aqui.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

renovações de ano novo


E que cada vez mais nos façamos responsáveis pela nossa própria renovação.

"(...) Importa no novo ano deixar para trás o que passou e procurar renovar o olhar, a atitude, o pensamento, o agir. Trata-se de mais do que simplesmente uma lista de resoluções sobre perder peso e fazer ginástica. Trata-se de uma renovação profunda e totalizante.

Para que o ano seja novo, há que estar disposto a renovar aquilo que há de mais profundo em nós e que nos faz mais humanos. Por exemplo, parar de continuar a nos autocompreender a partir de nós mesmos e defendendo desordenadamente, com unhas e dentes, um espaço "próprio". É preciso que nosso “lugar” de autocompreensão não seja nós mesmos, mas o outro ou a outra. Um dos baluartes da autocompreensão do ser humano é sua capacidade de êxodo de si mesmo, de êxtase, de saída da mesmice do olhar para si próprio e olhar para a alteridade e a diferença daquele ou daquela que tem frente a si.

E assim fazendo, seu destino não é perder 'seu' lugar para andar errante pela terra, sem ter para onde ir. É descobrir para si nova situação, novo lugar, outra terra, outra pátria, outra paisagem. Para que o ano seja novo, é necessário permitirmos que a solicitude, o amor e a generosidade nos arranquem de nós mesmos para situar-nos no outro, em seu lugar, suas preocupações, seus amores, suas dores, suas penas e glórias e fazer assim possível a descoberta e a vivência de uma nova comunhão.

(...) Assim, à semelhança do êxodo e da 'saída' constante e contínua do próprio Deus de si mesmo, contemplando e experimentando o próprio Filho e o Espírito que saem da inefabilidade da comunhão intra-trinitária em direção ao mundo e à humanidade, o ser humano passará a ser e autocompreender-se como um peregrino, não possuindo aqui lugar onde repousar a cabeça, se encontrando em si mesmo, mas apenas fora de si mesmo, no outro, nos outros. (...)

Eu me situo no outro. Sou, sim, responsável por meu irmão. Respondo por ele, falo em nome dele ou dela quando a palavra lhes seja cassada; ajo em nome dele ou dela quando estiverem de mãos atadas; corro em seu auxílio quando estiverem necessitados. Assim, Aquele que renova todas as coisas será novo também em nós, pois através de nós estará levando a termo o parto da Nova Criação, feita de justiça e de amor."

- Maria Clara Bingemer

Leia na íntegra aqui

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

o olho é a janela da alma, o espelho do mundo


"Tem que poder imaginar para depois saber intuir se o que você imaginou está certo ou errado. Porque há uma distância entre a imaginação e o próprio fazer."

- Fayga Ostrower, em depoimento para o documentário Janela da Alma, na íntegra abaixo.

O título deste post é uma citação de Leonardo da Vinci.